A primeira mulher a se vestir de branco com flores de laranjeira foi Maria I, Stuart (1542 -1587), Rainha da Escócia. Não é tanto tempo em termos de história, mas a mudança comportamental se deu de forma muito forte, após o levante feminista, elas conquistaram direitos e espaços em diferentes áreas, inclusive no próprio armário.O vestido de noiva vem acompanhando a evolução da mulher perante a sociedade.
O véu e a grinalda acompanharam bravamente as mudanças de comportamento. Prisioneiras do espartilho em 1900, vestia branco como sinal de pureza e virgindade. Até hoje, a cor, o branco é de uso exclusivo da noiva. Vestidos simples, sem saiotes; os compridos, com ou sem cauda, véus de rendas ou mantilha (de Bruxelas), artesanais, passavam de mãe para filha. A mulher não tinha direito a nada, nem votava. Sua educação era comandadas pelo marido e seus anseios, reprimidos; em 1910, a noiva nem ousa levantar os olhos para o marido. Totalmente dependente do "senhor meu marido", sinônimo de servilismo, sustentando as funções do casamento, reservada aos cuidados da casa, do marido e filhos. Nos anos 20 a mulher usava um vestido mais curto, abaixo do joelho, luvas, véu comprido, decote em forma de U. Os tecidos finos, estilo Melindrosa. Nos anos 30 - não se casar significava fracassar socialmente. Ser mulher e ter mais de 20 anos sem a perspectiva de um casamento era "encalhada" ou "pra titia". Aos 30 anos, uma mulher era "solteirona", enquanto o homem ainda era um "bom partido". Pesquisas da época mostraram que as mulheres se casavam, em média, com 23 anos, e os homens, por volta dos 27. A Constituição permitiu o voto feminino. Vestido liso e longo. Por volta de 1940: A máquina dos sonhos de Hollywood ditou a moda. A Rainha Elizabeth se casou em 47, vestindo duas tendências: uso do cetim e da coroa. Os modelos compridos, com muitos detalhes, transpassados e assimétrico aos justos, colados e o rabo de peixe. Em 1950, nosso desafio não é menor - o grande medo de ficar solteira ainda persistia na década de 50; os casamentos da Rainha Elizabeth e Grace Kelly foram os marcos do novo estilo, coroa, vestido com cauda, véu longo, mangas justas e saiotes; rendas vazadas mostravam o colo. Sessenta: Beatles, Jovem Guarda e festivais de MPB. A rebeldia era traduzida pelos minis; os vestidos eram simples, com recortes abaixo do busto, tubinhos ou evas e mangas de sino. Tarefas como cozinhar, lavar, passar, limpar a casa e cuidar dos filhos eram deveres exclusivamente femininos. O homem ajudava, quando muito, fazendo algum pequeno reparo. Essa ordem das coisas não era contestada. As revistas femininas pregavam às leitoras que elas não tinham o direito de questionar a divisão dos papéis nem deviam exigir a participação do marido nos serviços do lar, "sob pena de comprometer o equilíbrio conjugal".

Na década de 70: Surgiram os movimentos feministas organizados e a emancipação da mulher. As "prendas domésticas" continuavam a ser a arma feminina para segurar o casamento. Segundo as próprias revistas femininas, manter a casa agradével, o marido satisfeito e saber administrar o orçamento doméstico eram a receita da "companheira perfeita". Uma companheira, diga-se, que pouco participava dos interesses do marido fora de casa, nem compartilhava com ele seus anseios. Lançaram-se as publicações "Nós Mulheres" e "Brasil Mulher", o Jornal das Moças e O Cruzeiro bombardeavam a cabeça das leitoras com conselhos como "Não telefone para o escritório dele para discutir frivolidades"; "Não se precipite para abraçá-lo no momento em que ele começa a ler o jornal"; "Não roube do marido certos prazeres, mesmo que esses a contrariem, como fumar charuto ou deixar a luz do quarto acesa para ler antes de dormir". Um pouco de Julieta e de hippie, em vestidos justos nos braços e de mangas bufantes. Saias longas cortadas na cintura, rendas e flores em outros tons. Na década de 80: Os casamentos de conveniência ainda ocorriam, mas com menor frequência; as normas de comportamento tornavam-se mais tolerantes; casaram-se Lady Dy e príncipe Charles. Predominou a coroa em modelos de vestidos com saias amplas, sobressaias, bordados com decote princesa. No final do século 20, de acordo com a revista Bride, 92% das noivas que se casaram na década de noventa usaram vestidos longos, diferentes costureiros ditaram moda com modelos clássicos reformulados. A situação econômica e social exerce influência sobre os modelos.