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Guia de Noivos

Casamenteiros

CUPIDOS, shiduch, Santo Antônio

A possibilidade de escolher o marido e a esposa pelo sentimento, que parece tão óbvia, é dada como um fenômeno cultural de apenas alguns séculos, quando os casais foram sendo formados à revelia das famílias, identificados por interesses comuns de uma sociedade. Casar exige conhecer a natureza profunda da outra pessoa, as diferenças de personalidade, suas raízes. Ainda hoje, a figura da casamenteira é muito forte na sociedade, porque ainda somos muito estimulados pelo que os outros falam, ou apenas por muita atração física.

Acontece que as verdades de uma geração podem ou não ser aplicadas à próxima geração. O amor e suas práticas estão vivos, assim como a natureza. O imaginário provençal trouxe as primeiras "correntes" da evolução do casamento, inspirando uma fase e recriando outras. "Novas correntes" se sucederam com tanta rapidez que se tem à impressão de que o casamento entra e sai de "moda", mas está em permanente mutação.

Desejo de coração, que os noivos entendam esse reboliço todo em torno de uma máquina de sonhar que o romantismo propõe como atitude. Casar sabendo que nem tudo é possível, principalmente no que diz respeito a mudar o parceiro nos moldes que nos agradam mais.

                                                                                                                                          

Vocês já ouviram falar de casamenteiros ?
Homens e mulheres que arranjam casamentos entre gente que mal se conhece.Em determinadas culturas, o casamenteiro tem grande popularidade, é aquele a quem se recorre para que averigue, escolha, investigue, informe e, finalmente, aconselhe e ajude na negociação do casamento. A profissão era considerada muito séria porque um bom casamento dependia da compatibilidade social, cultural, etc. entre marido e mulher. Até hoje, em várias comunidades, o casamenteiro continua atuante. Nas comunidade judaica, portuguesa, japonesa, hindu, brasileira, as pessoas definem esta ocupação como um trabalho social. Na Índia, tradicionalmente, os astrólogo fazem o papel e celebram o casamento. A verdade é que o amor entre os casais judeus são selados por contratos, tais como os pacto anti nupciais realizados hoje, por vários casais, conheça a experiência da Dra. Claudia Lemos Queiroz.
                                                                                                                                               

Ofício de status e poder. No passado, os negociadores de casamentos eram as mulheres dos ourives, talvez porque a profissão era propícia por conter a informação fidedigna, credibilidade sobre a realidade financeira dos vários membros da comunidade. O segredo de uma boa casamenteira é a qualidade da informação. Procurava se na família doenças, se tinham algum desvio, se bebem. Agora, os exames pré-nupcias se encarregam desse tipo de informação.

                                                                                                                            
O "cupido" desempenha no inconsciente coletivo, mas também tem por hábito, falar bem das pessoas, e por isso, acaba estimulando o encontro. Já que o ser humano é muito estimulado pelo que os outros falam, contam. Algumas pessoas dão mais valor ao que ouviram falar do que ao que vêem com seus próprios olhos. A figura do cupido ou do intermediário entre as duas partes assume uma importância determinante.

O casamenteiro mais famoso e popular é "santo", num costume antigo, arranjar casamentos através da figura de Santo Antônio, um apelo ao enamoramento das pessoas, a arte do encontro através de um comportamento mais humano e menos egoísta. Esse é o culto que deve ser dedicado ao Santo, esse foi seu modo de viver. Santo Antônio foi um pregador no século XIII, sua popularidade chegou ao Brasil via colonização portuguesa, mais precisamente por influência dos frades franciscanos.

 

Pena que ainda não existe um seguro que cubra com uma apólice, a frase "e foram felizes para sempre"?
A vida nem sempre foi generosa para as mulheres, casavam-se por carta de amor, conhecendo apenas o que diziam os amigos e as famílias, a favor do noivo. Raras vezes os já prometidos se revoltavam porque aprendiam em casa e na religião, a obediência. Acreditavam no Eu submisso, na subordinação do Eu, que a religião prega. Até 1980, a educação, conforme o dito popular: "educada para casar", sinônimo de servilismo e, na relação a dois, sustentando as funções do casamento, reservada aos cuidado da casa, o marido e filhos. Não conhecendo outro costume, diziam o sim, baixando a cabeça. Na era da tecnologia, velocidade é a palavra de ordem, as salas de bate-papo na internet. As verdades de uma geração podem ou não ser aplicadas à próxima geração.

Os japoneses dão uma grande importância à família e fazem questão de seguir as tradições. Quando o jovem japonês atinge a maioridade, os pais farão uma forte pressão sobre ele para que se case. A família procura uma agência matrimonial e contrata um "nakodo", um intermediário que vai pesquisar um candidato ou candidata. A atividade inclui uma pessoa responsável - O "nakodo" que deve ser do mesmo sexo do contratado, ele ou ela vão pesquisar todas as informações do pretendente, como ivem e, o status social e econômico, o tipo de educação e sobretudo o que fazem profissionalmente.  O encontro, é chamado de "miai" e pode ser realizado durante um almoço ou chá, mas terá a participação dos intermediários, portanto, o casal não ficará sozinho.

Na tradição judaica, Deus é visto como o "Supremo Casamenteiro". Uma lenda no Zohar relata que o Todo-Poderoso cria cada alma em duas partes. Uma das metades, ele coloca no corpo de um homem, a outra no corpo de uma mulher. E o casamento significa que as duas metades da mesma alma, criadas junto e predestinadas uma à outra, se reúnem conforme os desígnios do Criador. Portanto, o casamenteiro, o shadcham, sempre ocupou uma posição de honra dentro da comunidade, uma vez que ele era quase um "agente de Deus ".  A instituição baseava-se na premissa de que o amor seria o resultado de um bom shiduch, uma união perfeita, e não necessariamente um pré-requisito. Na história, o matrimônio era visto como uma aliança estratégica entre duas famílias, um consórcio de patrimônios e uma fusão, sim, mas entre parceiros social e culturalmente semelhantes. Como vocês podem notar, a família faz parte da evolução da humanidade e o casamento é a sua realização social. Durante os séculos XVII e XIX, quando o amor romântico passou a ser visto como uma elemento essencial para o casamento, a popularidade do shadchan decaiu muito.

Rosa Maciel é jornalista, faz casamentos e edita o Guia de Noivos, publicado anualmente em São Paulo.

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